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Calor favorece o percevejo: como identificar e acertar no manejo da praga?

Com a elevação das temperaturas, a pressão de percevejos tende a aumentar nas lavouras de soja. Em condições favoráveis, esses insetos se multiplicam mais rapidamente e podem causar perdas importantes na produtividade.

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Com a elevação das temperaturas, a pressão de percevejos tende a aumentar nas lavouras de soja. Em condições favoráveis, esses insetos se multiplicam mais rapidamente e podem causar perdas importantes na produtividade. O ataque compromete a formação e o enchimento das vagens, resultando em grãos chochos, deformados e de menor peso.


As altas temperaturas aceleram o ciclo desses insetos, favorecem sua multiplicação e elevam o risco de danos na fase reprodutiva da cultura. O resultado pode aparecer em vagens mal formadas, grãos chochos e redução de peso, afetando diretamente a produtividade.


Os principais percevejos que atacam a cultura da soja são o Percevejo-marrom (Euschistus heros), Percevejo-verde (Nezara viridula), percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii) e Percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus).


Como identificar os percevejos?

Percevejo-marrom (Euschistus heros)

  • É a espécie mais comum na cultura da soja
  • Apresenta coloração marrom-escura, com uma mancha mais clara em formato de meia-lua no dorso.
  • Possui dois prolongamentos laterais, em forma de espinhos, próximos à cabeça.
  • Os ovos são amarelados e normalmente depositados nas folhas, em pequenas massas com cinco a sete ovos.


Fonte: as autoras.


Percevejo-verde (Nezara viridula)

  • É popularmente conhecido como fede-fede ou maria-fedida devido ao odor liberado quando o inseto é perturbado. 
  • Mede, em média, entre 12 e 15 mm de comprimento.
  • Apresenta coloração verde uniforme, podendo apresentar pequenas manchas claras no dorso.
  • Os ovos são de coloração amarelada e depositados, preferencialmente, na face inferior das folhas, em massas com 50 a 100 ovos.


Fonte: biodiversity4all


Percevejo verde-pequeno (Piezodorus guildinii)

  • Apresenta coloração verde-amarelada e mede aproximadamente 10 mm de comprimento.
  • Possui listra transversal marrom avermelhada, na parte dorsal do tórax.
  • Os ovos são pretos, em forma de barril, colocados em fileiras pareadas, com 10 a 20 ovos por massa.
  • É considerado uma das espécies de percevejo mais danosas à soja, pois apresenta maior permanência na cultura e elevada capacidade de causar perdas de produtividade.

Fonte: Ourofino agrociência.


Percevejo barriga-verde (Dichelops melacanthus).

  • A sua coloração varia da castanha-amarelada à acinzentada, com o abdômen verde, medindo de 9 a 11 mm.
  • A cabeça termina em duas projeções pontiagudas, característica marcante da espécie.
  • Os ovos são verde-claros colocados sobre as folhas e vagens, em massas de cerca de 14 ovos.

Fonte: Agrolink



Qual o período de controle?

A maior preocupação com o controle de percevejos na cultura da soja começa a partir do início do estádio reprodutivo, próximo ao florescimento. Nessa fase, o monitoramento da lavoura deve ser intensificado, pois a presença da praga pode comprometer a formação e o enchimento dos grãos.


O nível de ação para o manejo de percevejos na soja varia conforme o objetivo da lavoura. Quando a produção é destinada à obtenção de sementes, recomenda-se o controle quando for encontrada, em média, um percevejo por batida de pano. Já em lavouras destinadas à produção de grãos comerciais, o nível de ação é de dois percevejos por batida de pano, em média.


Como estratégia de manejo, é fundamental que a lavoura não entre no período reprodutivo com alta população de percevejos. Embora os danos sejam mais expressivos durante o enchimento de grãos, a presença da praga já na fase de formação de vagens pode provocar abortamento, reduzindo o potencial produtivo da cultura.


O período mais crítico para o controle ocorre entre os estádios R4 e R6 da soja, fase em que os percevejos podem causar maiores perdas. Mesmo assim, o monitoramento deve ser mantido até a fase final do ciclo, aproximadamente quando a lavoura apresenta cerca de 75% de folhas e vagens amareladas.



Como controlar nos períodos quentes?

Em condições de calor, o manejo dos percevejos precisa ser mais preciso. O monitoramento deve ser encurtado, com maior atenção às áreas de bordadura e aos talhões em fase reprodutiva. Também é importante ajustar o momento da aplicação, priorizando horários mais amenos do dia, além de observar o volume de calda e a cobertura no dossel, já que a eficiência pode cair quando a pulverização é feita em condições desfavoráveis. Outro ponto de atenção é a escolha dos produtos, porque a persistência de alguns inseticidas pode ser menor em temperaturas elevadas, exigindo decisões mais criteriosas no campo. 



Controle químico:

No manejo químico dos percevejos, é fundamental utilizar inseticidas registrados para a cultura da soja e respeitar a rotação de ingredientes ativos ao longo das aplicações, reduzindo o risco de seleção de populações resistentes. Também é indispensável seguir as recomendações de bula, observando dose, tecnologia de aplicação e período de carência, para garantir eficiência no controle e segurança no sistema produtivo.


O resultado da aplicação depende da escolha correta do produto, da dose utilizada e do momento de entrada na lavoura. Como os percevejos tendem a se posicionar em partes mais protegidas da planta ao longo do dia, as aplicações costumam apresentar melhor desempenho em horários mais amenos, como no início da manhã e no final da tarde. Nessas condições, há maior chance de boa cobertura e contato com a praga.


Deve-se evitar períodos de temperaturas elevadas, quando os percevejos se refugiam mais no terço médio e inferior da planta. Em situações de pressão mais alta, o monitoramento deve ser intensificado, especialmente a partir do início do florescimento e ao longo da formação e enchimento das vagens. O manejo não deve ser baseado apenas na presença da praga, mas sim nos níveis de ação e nas condições reais da lavoura. Quanto mais cedo o problema é identificado dentro do critério técnico, maior é a chance de evitar perdas de produtividade.


Opções de inseticidas como o Talisman, possui ação eficaz contra o percevejo-marrom, percevejo-verde e percevejo-verde-pequeno, auxiliando no manejo adequado desse importante praga da soja.



Controle biológico:

O uso de inimigos naturais pode ser uma alternativa no momento de realizar o controle das pragas. 

Segundo pesquisas realizadas pela Embrapa a vespa, Trissolcus basalis, pode ser utilizada com esta finalidade. Esse inseto parasita os ovos dos percevejos quebrando o ciclo de vida da praga. Essa espécie apresenta preferência por ovos do percevejo-verde, mas também pode parasitar ovos de outras espécies, como o percevejo-marrom e o percevejo-barriga-verde. 


Outro inimigo natural de destaque é Telenomus podisi, também parasitoide de ovos, com reconhecida eficiência no manejo de percevejos. Essa espécie apresenta maior preferência por ovos do percevejo-marrom, contribuindo para a redução da infestação ainda no início do ciclo da praga. 


O controle biológico amplia as opções de manejo e ganha importância justamente por atuar sobre a fase de ovo, para a qual não há, de forma prática, produtos químicos com ação específica no campo. Ainda assim, seu uso deve ser entendido como parte do manejo integrado de pragas, somando-se às estratégias de monitoramento, controle cultural e, quando necessário, controle químico.



Controle cultural:
O controle cultural reúne práticas de manejo que atuam de forma preventiva, modificando o ambiente de cultivo para torná-lo menos favorável à sobrevivência e à multiplicação do percevejo na lavoura. Diferentemente das estratégias curativas, essa abordagem busca reduzir a população inicial da praga e criar condições mais equilibradas para o desenvolvimento da cultura ao longo da safra.


A eliminação da soja voluntária, o manejo da ponte verde e a rotação de culturas são exemplos de práticas que interferem diretamente no ciclo biológico do percevejo. Ao reduzir a oferta contínua de alimento e abrigo, essas medidas limitam a permanência do inseto na área durante a entressafra e contribuem para diminuir a pressão populacional no início do ciclo produtivo.


A sincronização regional da semeadura também desempenha papel importante nesse manejo, pois evita a presença simultânea de lavouras em diferentes estádios fenológicos, situação que favorece a migração constante dos percevejos entre áreas. Assim, o controle cultural não elimina a praga de forma isolada, mas estabelece a base para um manejo mais eficiente, reduzindo a dependência do controle químico e aumentando a eficiência de outras estratégias de manejo.



Manejo Integrado de Pragas (MIP):
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) consiste na combinação de diferentes estratégias de controle, com o objetivo de manter a população das pragas abaixo do nível de dano econômico, buscando equilíbrio entre eficiência produtiva, viabilidade econômica e responsabilidade ambiental.


Para sua aplicação, três componentes são fundamentais. O primeiro é a diagnose, que envolve a correta identificação da praga e o conhecimento de seu ciclo de vida, hábitos e períodos de maior atividade. Nessa etapa, também é importante reconhecer a presença de inimigos naturais, como insetos benéficos e microrganismos que contribuem para a redução da população das pragas.


O segundo componente é a tomada de decisão, momento em que o produtor avalia a necessidade de intervenção com base no monitoramento da lavoura e nos níveis de ação estabelecidos. Esse processo evita aplicações desnecessárias e aumenta a eficiência do manejo.


Por fim, entram as táticas de controle, que correspondem às práticas utilizadas para manejar as pragas na lavoura. Essas estratégias podem incluir métodos culturais, biológicos, físicos e químicos, sempre buscando a integração entre as diferentes ferramentas disponíveis para alcançar resultados mais duradouros e sustentáveis.



Texto escrito por Thais Camila Griebler e Sílvia Fabiana Risson, acadêmicas do curso de Agronomia da UFSM, campus Frederico Westphalen, membros do Programa de Educação Tutorial - PET Ciências Agrárias, sob acompanhamento do tutor, professor Dr. Claudir José Basso.



REFERÊNCIAS:

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – Embrapa Soja. Manual de identificação de insetos e outros invertebrados da cultura da soja. 3. ed. Londrina: Embrapa Soja, 2014


SIMONATO, Juliana; GRIGOLLI, José Fernando Jurca; OLIVEIRA, Harley Nonato de. Controle biológico de insetos-praga na soja. In: Tecnologia e Produção: Soja 2013/2014. Embrapa, 2013. p. 179–186.


MARASSATTO, Carla - Manejo Integrado da Pragas (MIP) - 11 de setembro de 2019 - Agromove https://blog.agromove.com.br/manejo-integrado-pragas-mip/

Imagem de capa: https://www.embrapa.br/busca-de-imagens/-/midia/4795001/percervejo-marrom-da-soja

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