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Grupo de maturidade e época de semeadura: como esses fatores influenciam o ciclo da soja no RS

Você sabia que a época de semeadura pode alterar o desenvolvimento e a duração do ciclo da soja?

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A época de semeadura pode alterar a duração do ciclo da soja. Em simulações realizadas para Santa Maria (RS), Trentin et al. (2013) observaram ciclos mais longos nas semeaduras de outubro e mais curtos nas realizadas em dezembro.

Por que isso acontece?

 

Parte da resposta está nas condições ambientais encontradas pela cultura em cada época de semeadura. Entre os fatores envolvidos, o fotoperíodo e a temperatura do ar influenciam a duração do período entre a emergência e o florescimento, com respostas que podem variar entre cultivares (Rodrigues et al., 2001).



Fotoperíodo e temperatura do ar na soja

O fotoperiodismo é uma das principais características que explicam essas variações no ciclo da soja. Por ser uma planta de dias curtos, a taxa de desenvolvimento para o florescimento tende a aumentar quando o comprimento do dia fica abaixo do fotoperíodo crítico da cultivar. Essa resposta, porém, varia conforme o genótipo e não ocorre com a mesma intensidade em todas as cultivares (Rodrigues et al., 2001). M alguns casos, lavouras de semeadura tardia, apresentam um ciclo curto, onde as plantas encontram condições de fotoperíodo mais favoráveis ao florescimento precoce, já que no Rio Grande do Sul (RS) os dias aumentam até 21 de dezembro (verão) e, a partir daí, diminuem até o solstício de 21 de junho (inverno).


Nas simulações realizadas por Trentin et al. (2013), essa redução, associada à maior disponibilidade térmica, contribuiu para acelerar o desenvolvimento e encurtar o ciclo nas semeaduras mais tardias. Temperaturas mais baixas, por sua vez, tendem a prolongar o período entre a emergência e o florescimento.

 

Além do fotoperíodo, a temperatura do ar também influencia o desenvolvimento da soja. Nas condições avaliadas por Rodrigues et al. (2001), temperaturas mais baixas estiveram associadas ao prolongamento do período entre a emergência e o florescimento, embora a intensidade dessa resposta tenha variado entre os genótipos.



Grupos de maturidade relativa

Conhecer os efeitos da temperatura e do fotoperíodo ajuda a compreender a importância dos grupos de maturidade relativa (GMR). Essa classificação permite comparar a duração do ciclo das cultivares em relação a materiais-padrão avaliados em condições semelhantes. De modo geral, cultivares com GMR mais alto tendem a atingir a maturidade mais tarde, mas a duração do ciclo também varia conforme o ambiente e a época de semeadura.

 

De modo geral, no Rio Grande do Sul predominam cultivares com GMR entre 5 e 7. Nas regiões mais ao norte do Brasil, são mais comuns grupos de maturidade mais altos. Essa distribuição serve como referência, pois o GMR mais adequado pode variar conforme a cultivar, a época de semeadura e as condições de cada região



Figura 1 – Distribuição dos grupos de maturidade relativa da soja em função da latitude no Brasil.

Fonte: adaptado de Alliprandini et al. (2009), com informações adicionais (BASF).



Altitude, temperatura e ciclo da soja

Compreender como o ambiente e a genética atuam sobre o ciclo da soja é fundamental para posicionar cada cultivar de acordo com a área e a época de semeadura. Passo Fundo, situada a aproximadamente 687 m de altitude, e Santa Maria, a cerca de 155 m, ilustram condições ambientais distintas. No estudo de Fritzsons, Wrege e Mantovani (2015), as regiões mais elevadas apresentaram temperaturas mais baixas, enquanto Santa Maria esteve entre as localidades com maiores médias anuais. Para o conjunto das estações analisadas, os autores estimaram uma redução média de aproximadamente 0,75 °C na temperatura do verão a cada 100 m de elevação. Essas diferenças térmicas podem alterar a velocidade de desenvolvimento da soja, mas a altitude, isoladamente, não determina a duração do ciclo nem a data da colheita.


Considerando a interação entre genética e ambiente, o grupo de maturidade deve ser analisado em conjunto com as características e o posicionamento técnico de cada cultivar. A IMUNE I2X. (GM 5.3), é classificada como GMR 5,3 e de ciclo superprecoce. Já a BMX RAÇA Epertence ao GMR 6,3, apresenta ciclo tardio e, segundo o portfólio consultado, adapta-se a regiões de menor altitude. Assim, a escolha não deve considerar apenas o GMR, mas também a região e a época de semeadura indicada para cada cultivar.


A época de semeadura também interfere nessa decisão. Estudos realizados no Rio Grande do Sul mostram que o atraso da semeadura tende a encurtar o ciclo e pode reduzir a duração da fase vegetativa. A intensidade dessa resposta, entretanto, varia conforme o genótipo e o tipo de crescimento. Por isso, o posicionamento deve seguir as indicações específicas de cada cultivar e região.



Texto escrito por Mayte Kunrath da Silva e Thomas Henrique Moraes de Lima, membros da AGR Jr. Consultoria Agronômica, Empresa Júnior do Curso de Agronomia da UFSM Campus Frederico Westphalen, sob a orientação da professora Gizelli Moiano de Paula.


REFERÊNCIAS

BASF. Grupo de maturidade relativa em soja: entenda como é realizado essa classificação. 2026. 1 il. Disponível em: https://agriculture.basf.com/br/pt/conteudos/cultivos-e-sementes/soja/grupo-de-maturidade-relativa-em-soja-entenda-a-classificacao. Acesso em: 7 set. 2026.

FRITZSONS, Elenice; WREVE, Marcos Silveira; MANTOVANI, Luiz Eduardo. Altitude e temperatura: estudo do gradiente térmico no Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Climatologia, v. 16, 2015. 

RODRIGUES, Osmar et al. Resposta quantitativa do florescimento da soja à temperatura e ao fotoperíodo. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 36, n. 3, p. 431-437, 2001. 

TRENTIN, Roberto et al. Subperíodos fenológicos e ciclo da soja conforme grupos de maturidade e datas de semeadura. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 48, n. 7, p. 703-713, 2013. 

3TENTOS. BMX Imune I2X. Disponível em: https://www.3tentos.online/semente-bmx-imune-i2x/p. Acesso em: 7 set. 2026.

3TENTOS. BMX Raça E. Disponível em:https://www.3tentos.online/semente-bmx-raca-e/p. Acesso em: 7 set. 2026

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