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Como fazer dessecação em pré-plantio de soja e quais os desafios?

O período de semeadura da cultura da soja está se aproximando e para isso trouxemos algumas informações sobre o que é a dessecação pré-semeadura da soja, incluindo as melhores práticas utilizadas para o controle de plantas daninhas.
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O que é dessecação pré-plantio da soja?


A dessecação pré-plantio ou dessecação antecipada nada mais é que o manejo para eliminar as plantas daninhas presentes na área, a fim de possibilitar a semeadura da cultura “no limpo”, facilitando operações de semeadura e, evitando a competição inicial da cultura com as plantas daninhas. Vale aqui ressaltar que não é aconselhável a realização dessa prática de forma calendarizada, ou seja, pré-definir um número de dias antes da semeadura para fazer a dessecação sem a análise prévia das plantas daninhas presentes na área, bem como ferramentas de manejo disponíveis.



Manejar plantas daninhas está mais complexo nessa safra?


A contínua evolução de plantas daninhas resistentes à herbicidas, janelas de plantio cada vez mais reduzidas, falhas na tecnologia de aplicação, entre outros fatores tornam o manejo de dessecação cada vez mais complexo, o que demanda elevado conhecimento técnico. Além desses fatores, a proibição de uso do herbicida paraquat, restrições para aplicações de herbicidas hormonais no estado, somado a escassez de defensivos agrícolas (incluindo herbicidas) no mercado global, tem tornado o manejo de plantas daninhas uma atividade ainda mais desafiadora nessa safra 2021/2022.



A complexidade da dessecação pré-semeadura da soja


A complexidade da dessecação para resolver os problemas acima mencionados resulta na necessidade de mistura de um, dois ou até três herbicidas de diferentes mecanismos de ação, para que se alcance controle satisfatório das diversas plantas daninhas presentes na área, o que antes era alcançado com uma única aplicação de glifosato (principal herbicida utilizado mundialmente) na maioria das áreas. Dentro desse cenário, nosso principal desafio é controlar as plantas daninhas resistentes ao glifosato (plantas que por processos de seleção, hoje não são mais controladas com a dose recomendada deste herbicida) e aquelas plantas daninhas consideradas “tolerantes” (plantas que por características inatas da espécie nunca foram controladas satisfatoriamente com este herbicida).



O planejamento da dessecação


O primeiro passo para o sucesso na dessecação é fazer o levantamento das plantas daninhas presentes na área, com determinação da classe dominante (gramíneas ou folhas largas), identificação da espécie e estágio de crescimento da mesma e, buscar informações referentes ao histórico da área em falhas no controle ou resistência à algum herbicida. A partir dessas informações é possível fazer a escolha dos herbicidas a serem utilizados, os quais podem ser pulverizados diretamente ao solo (os herbicidas se movem das raízes para parte aérea) ou herbicidas aplicados via foliar, sendo que esse segundo grupo é dividido em herbicidas de “contato”, ou seja, aqueles que tem ação restrita as folhas (não se movem internamente na planta) e os herbicidas “sistêmicos”, que se movem (translocam) para outras partes internas das plantas.



A importância do manejo integrado


A eficácia na dessecação também vai depender da cobertura da área que antecede o plantio, dessa forma, áreas com presença de cultura de inverno tem potencial de reduzir o banco de sementes de plantas daninhas no solo, além de contribuir para redução no porte das infestantes, também facilita a eficácia do herbicida. Por outro lado, em áreas de pousio haverá plantas de porte mais altos ou perenizadas, as quais são de difícil controle e normalmente exigem aplicação sequencial de herbicidas. Além disso, plantas de porte mais alto contribuem para o conhecido efeito “guarda-chuva” sobre as espécies de menor porte, diminuindo a eficácia de controle das mesmas. A aplicação sequencial (mais de uma aplicação de herbicidas antes da semeadura) é normalmente indicada em situações com alta infestação de plantas daninhas, plantas de porte elevado e/ou plantas consideradas de “difícil controle”.



As principais plantas daninhas do RS


Entre as espécies hoje consideradas problemáticas no Rio Grande do Sul, que sempre apresentaram determinada tolerância ao glifosato, podemos citar:



Em adição, buva e azevém são problemas antigos para o agricultor, apresentando resistência a herbicidas e, recentemente, outras espécies daninhas vêm ocupando espaço no cenário agrícola, como amargoso, losna, capim-pé-de-galinha e caruru (recentemente relatado com suspeita de resistência). Estas espécies podem ser consideradas como “plantas de difícil controle” e, normalmente necessitam de mais de uma aplicação de herbicidas.



Qual herbicida uso para dessecar as plantas daninhas?


Nos casos acima citados, além do glifosato tem-se indicado a mistura com outro herbicida de mecanismo de ação diferente e que tenha ação sistêmica na planta, como 2,4 D, dicamba ou fluroxipir no caso de folhas largas, ou graminicidas (herbicidas da classe dos inibidores da ACCase) com o foco em gramíneas. Cerca de 7-10 dias após essa primeira aplicação é recomendada aplicação sequencial, normalmente um herbicida com ação de contato (ex: diquat ou glufosinato de amônio), a fim de promover desfolha total das plantas que sobraram e/ou o controle dos rebrotes. É importante destacar que alguns herbicidas utilizados na dessecação devem ser aplicados em um período mínimo antes da semeadura, a fim de evitar problemas de efeito residual para cultura. Em algumas situações têm-se optado pela utilização de herbicidas de contato juntamente com a primeira aplicação de dessecação, nesse caso normalmente é utilizado herbicidas da classe dos inibidores de PROTOX (ex: saflufenacil, carfentrazone, flumioxazina, etc), os quais normalmente são herbicidas de contato mais eficazes no controle de folhas largas e, que muitas vezes auxiliam na aceleração do processo de dessecação.



Herbicidas pré-emergentes e sua utilização


Outra prática que vem crescendo nos últimos anos é a utilização de herbicidas pré-emergentes, normalmente pulverizados junto à aplicação sequencial citada anteriormente ou no modo “plante-aplique”. Os herbicidas pré-emergentes são uma importante ferramenta para complementar o controle de plantas daninhas resultantes da dessecação. Esses produtos agem principalmente no controle de novos fluxos de emergências de espécies presentes no banco de sementes do solo, que emergem logo após as operações de dessecação. Nesse sentido, essa prática tem potencial de manter a cultura “no limpo”, evitando a competição inicial das culturas agrícolas com as plantas daninhas, que pelo efeito residual desses herbicidas pode ser de até 60 dias.



Principais estratégias na dessecação


Como foi abordado, a eficácia da dessecação é dependente de vários fatores, o que torna essa operação mais complexa. Em síntese, o sucesso no processo exige conhecimento da área, alcançado através do levantamento das espécies infestantes, levando em conta estádio das plantas, histórico de resistência, que entre outros vários fatores irão definir o herbicida a ser utilizado. Uma vez definidos os herbicidas fazem-se a escolha do momento correto para a aplicação, respeitando as doses recomendadas, condições climáticas e as exigências técnicas de cada produto. Além disso, o uso de herbicidas pré-emergentes tem surgido como uma ferramenta importante para o controle de novos fluxos de emergência de plantas daninhas. O manejo antecedendo a cultura, que vise diminuir o banco de sementes, como a implantação de culturas de inverno, também são medidas que auxiliam no manejo integrado de plantas daninhas e evitam dependência exclusiva à herbicidas.



Conclusão


Por fim, se essas medidas forem realizadas de maneira eficaz, será possibilitada a semeadura da cultura “no limpo”, facilitando as operações de plantio, evitando competição inicial da cultura com as plantas daninhas e consequentemente, mantendo o potencial produtivo da cultura.


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