Como se preparar para a cultura do milho e quais os cuidados
A nova safra da cultura do milho já começou, entre as principais tomadas de decisões estão a escolha dos híbridos, manejo de fertilidade, plantas daninhas e pragas. Outro aspecto decisivo para se colher bons resultados é a plantabilidade da lavoura, onde estão inseridos aspectos como velocidade e profundidade de semeadura, umidade do solo e escolha correta por discos e anéis para plantio.
Por Jean Carvalho - Assistente de Pesquisa e Desenvolvimento da 3tentos
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Dessecação Antecipada
Este é um aspecto determinante para que se consiga atingir uma boa qualidade de plantio, a chamada dessecação antecipada é fundamental para que o leito de semeadura esteja em boas condições. A dessecação em torno de 30 dias antes da semeadura tem por objetivo eliminar possíveis efeitos de alelopatia das plantas de cobertura, eliminar a competição por água, luz e nutrientes, além de evitar possíveis transtornos no momento da semeadura ocasionados por plantas que não estejam completamente mortas. Situações como estas podem gerar problemas como envelopamento da semente, onde ela não fica completamente coberta pelo solo, causando atraso na emergência ou até mesmo não germinação.
Outro aspecto de grande importância na utilização da dessecação antecipada é o uso de inseticidas, podendo reduzir e até mesmo zerar os níveis de pragas sobreviventes nos restos culturais que podem trazer ataque de lagartas e percevejos nas plantas de milho.
Semeadura
O momento de semeadura do milho é determinante para o sucesso da lavoura, pois o número de plantas por hectare é o primeiro e principal componente de rendimento, sobretudo se levarmos em conta que a cultura não possui a capacidade de ocupar o espaço deixado por uma planta que não se desenvolveu.
Entre os pilares de sucesso da semeadura estão:
Profundidade Plantio (3 a 5 cm);
Umidade do Solo
Velocidade de Semeadura (4 a 6 km/h)
Escolha de discos e anéis (semeadoras mecânicas)
Nas semeadoras com sistema mecânico de distribuição de sementes é fundamental a escolha correta dos discos e anéis de plantio, pois se não estiverem adequados podem ocasionar danos mecânicos, falhas na distribuição e deposição de sementes duplas, interferindo no estande de plantas que o produtor planejou.
Conclusão
Lavouras uniformes e plantas bem estabelecidas são os primeiros passos para produtividades acima de 200 scs/ha na cultura do milho.
Impactos gerados por essa invasora podem chegar a uma redução entre 40% a 52% na produtividade de grãos
No Rio Grande do Sul, a cultura do trigo enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, às condições de mercado e aos riscos climáticos, fatores que têm influenciado a decisão de cultivo nas últimas safras.
O azevém é a invasora mais problemática, devido à sua semelhança morfológica e fisiológica com o trigo, ambas competindo intensamente pelos mesmos recursos. Essa semelhança reduz drasticamente as opções de herbicidas que podem ser utilizados no seu manejo, assim favorecendo a persistência da invasora.
Os impactos gerados por essa competição podem chegar a uma redução entre 40% a 52% na produtividade de grãos (FLECK; PAULITSCH, 1978), compromete a qualidade do trigo, eleva os custos operacionais e dificulta a colheita.
Quais fatores influenciam a eficiência do manejo do azevém no trigo?
O momento da intervenção é um dos principais fatores para o sucesso do manejo. Quanto mais avançado estiver o azevém, maior tende a ser a dificuldade de controle, principalmente em áreas com histórico de resistência.
O período crítico em que a cultura do trigo deve permanecer livre da interferência de plantas daninhas é durante o primeiro terço de seu desenvolvimento, pois é nesse intervalo que ocorre a redução mais acentuada da produtividade, e os danos causados são irreversíveis (Vargas; Bianchi, 2006).
Conforme orientações técnicas da Embrapa, o manejo do azevém deve começar ainda antes da semeadura, com estratégias como dessecação antecipada, uso de herbicidas pré-emergentes registrados e rotação de mecanismos de ação, especialmente em áreas com histórico de resistência. (Embrapa, 2023). Embora esse período possa variar conforme o ambiente e a cultivar, o período crítico está entre 12 e 24 dias após a emergência do trigo ou os primeiros 50 dias em cultivares com ciclo mais longo.
No manejo pós-emergente, os melhores resultados geralmente são obtidos quando o azevém ainda está nos estádios iniciais, preferencialmente com três a quatro folhas e antes do perfilhamento, respeitando sempre a indicação de bula do herbicida utilizado.
Nesse caso, máxima eficácia ocorre quando o azevém apresenta entre 2 e 4 folhas, ultrapassar esse estádio reduz drasticamente o potencial de controle, pois as plantas tornam-se mais tolerantes aos princípios ativos. Por isso, recomenda-se um manejo integrado que comece na pré-semeadura (dessecação) e utilize herbicidas pré-emergentes registrados para a cultura, respeitando as recomendações de uso e as condições necessárias para ativação do produto (Embrapa, 2023).
Plantas de azevém que emergem após os 35 dias da emergência do trigo, tendem a causar menos prejuízos diretos ao rendimento, pois a cultura já superou sua fase de maior sensibilidade competitiva (Vargas; Bianchi, 2006). Mesmo assim, essas plantas não devem ser ignoradas, já que podem produzir sementes, aumentar o banco de sementes no solo, dificultar a colheita e depreciar a qualidade do produto colhido.
De que forma solo, clima e adjuvantes podem intensificar a fitotoxicidade?
A fitotoxicidade é um conjunto de danos causados à cultura por herbicidas, variando de danos leves a severos, os quais podem ser intensificados por fatores climáticos, características do solo e uso de adjuvantes inadequados.
Condições climáticas: Possuem grande influência sobre a eficiência e a seletividade dos herbicidas pré-emergentes, destacando-se a ocorrência de chuvas intensas logo após a aplicação, o excesso de precipitação pode promover a lixiviação do herbicida no perfil do solo, deslocando o produto para regiões próximas ao sistema radicular do trigo, aumentando a absorção do herbicida pelas raízes. Em situações severas, podem ocorrer sintomas como clorose, redução do crescimento radicular, atraso no desenvolvimento vegetativo e até morte de plântulas.
Características do solo: As propriedades físicas e químicas do solo também influenciam, solos arenosos e com baixos teores de matéria orgânica apresentam menor capacidade de adsorção dos herbicidas, contendo maior quantidade do ingrediente ativo livre na solução do solo (Scheer et al., 2025). Em solos com maior teor de argila e matéria orgânica, a adsorção tende a ser maior. Esse comportamento, no entanto, varia conforme as características físico-químicas de cada ingrediente ativo.
Os adjuvantes, como surfactantes, espalhantes e óleos minerais, são frequentemente adicionados às caldas de pulverização para melhorar a cobertura e a absorção dos produtos. Entretanto, o uso inadequado desses componentes pode comprometer a seletividade dos herbicidas ao trigo, a intensificação da absorção foliar promovida pelos adjuvantes pode favorecer a entrada excessiva do herbicida nos tecidos vegetais, causando sintomas de queima foliar, necrose e redução do crescimento das plantas.
Como realizar o manejo químico eficiente do azevém no trigo?
Para o manejo em pré-emergência, podem ser utilizados herbicidas registrados para a cultura do trigo e para o controle do azevém, sempre considerando o histórico de resistência da área, as características do solo e as condições necessárias para a ativação do produto. Na dessecação pré-semeadura, herbicidas graminicidas também podem ser utilizados para o controle de plantas já emergidas. Entretanto, alguns inibidores da ACCase podem apresentar efeito residual sobre o trigo, por isso o intervalo entre a aplicação e a semeadura deve seguir rigorosamente as recomendações de bula e a orientação técnica.
No controle pós-emergente, o manejo deve ser realizado preferencialmente enquanto o azevém ainda está nos estádios iniciais de desenvolvimento e antes do perfilhamento, respeitando o estádio indicado para cada herbicida registrado. Entre as alternativas seletivas disponíveis para o trigo estão diferentes mecanismos de ação, incluindo inibidores da ALS e da ACCase. A escolha deve considerar o histórico de resistência da área, já que populações de azevém resistentes a esses mecanismos estão presentes em regiões produtoras do Sul do Brasil. Quando houver recomendação de adjuvante, seu uso deve seguir a bula do produto, contribuindo para melhorar características como cobertura, retenção e absorção da aplicação.
Figura 1 - Lavoura de trigo com azevém resistente (ao lado) Fonte: Revista Cultivar
O sucesso no manejo do azevém depende diretamente do momento em que o controle é realizado, dessa forma, práticas como o uso de pré-emergentes, e rotação de mecanismos de ação tornam-se fundamentais para reduzir a pressão de seleção e evitar o avanço da resistência.
Além disso, fatores ambientais e de manejo influenciam significativamente a ocorrência de danos na cultura.. Por isso, a escolha correta dos produtos, das doses e do momento de aplicação é indispensável para garantir segurança e eficiência no manejo. Em resumo, o manejo eficiente do azevém depende da integração entre controle químico, monitoramento da resistência e práticas culturais, garantindo maior sustentabilidade e viabilidade econômica para a cultura do trigo.
O sucesso no manejo do azevém depende diretamente do momento em que o controle é realizado, dessa forma, práticas como o uso de pré-emergentes, e rotação de mecanismos de ação tornam-se fundamentais para reduzir a pressão de seleção e evitar o avanço da resistência.
Além disso, fatores ambientais e de manejo influenciam significativamente a ocorrência de danos na cultura. Por isso, a escolha correta dos produtos, das doses e do momento de aplicação é indispensável para garantir segurança e eficiência no manejo. Em resumo, o manejo eficiente do azevém depende da integração entre controle químico, monitoramento da resistência e práticas culturais, garantindo maior sustentabilidade e viabilidade econômica para a cultura do trigo.
Texto escrito por Gustavo Pinheiro do Nascimento e Luani Aparecida Calegari, acadêmicos do curso de Agronomia da UFSM, campus em Frederico Westphalen, membros da empresa júnior AGR Jr. Consultoria Agronômica, sob acompanhamento da coordenadora, professora Dra. Gizelli Moiano de Paula.
Referências
FLECK, N. G.; PAULITSCH, R. J. Controle químico de azevém (Lolium multiflorum L.) na cultura do trigo. Planta Daninha, v. 1, n. 2, p. 30-37, 1978.
VARGAS, Leandro; BIANCHI, Mario Antonio. Manejo e controle de plantas daninhas em trigo.
In: Trigo no Brasil. Passo Fundo: Embrapa Trigo, [s.d.]. p. 253-286.
ASTRO, T. A. et al. Controle químico de azevém resistente na pré-semeadura da cultura do trigo. Santa Maria: UFSM; BIOMONTE Pesquisa e Desenvolvimento, 2013.
COSSUL, Vitor. Eficiência de herbicidas pré e pós-emergentes no controle de azevém (Lolium multiflorum) na cultura do trigo. 2025. 111 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Agronomia) – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Campus Ibirubá, Ibirubá, 2025.
EMBRAPA. Alternativas para controle de azevém resistente a herbicidas. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2023. 1 vídeo (4 min). Palestrante: Leandro Vargas. Disponível em: YouTube.
SCHEER, Felipe Augusto et al. Uso de herbicidas pré-emergentes no controle de azevém e seus efeitos sobre a cultura do trigo. Revista de Agronomia e Medicina Veterinária (RAMVI), v. 12, n. 2, p. 1-26, 2025.
21 de julho de 2026
AGR Jr. Consultoria Agronômica, Empresa Júnior do Curso de Agronomia da UFSM Campus Frederico Westphalen
A canola (Brassica napus L.) é uma das principais oleaginosas produzidas no mundo e tem ganhado forte espaço na região Sul do Brasil como uma excelente alternativa de renda durante o outono/inverno.
A cultura apresenta boa adaptação ao clima frio e entra como uma nova alternativa de rotação de culturas como soja, milho e trigo, auxiliando na quebra do ciclo de doenças e na melhoria da estrutura do solo. Além do uso na produção de óleo comestível e biocombustíveis, a canola possui elevado valor comercial e agronômico, tornando-se uma opção estratégica para diversificação das propriedades rurais.
Apesar do bom potencial produtivo, o desenvolvimento inicial da cultura exige atenção, pois a canola é mais sensível ao ataque de pragas nas primeiras fases do ciclo. Nesse período, danos causados por insetos podem comprometer o estabelecimento da lavoura, reduzir o stand de plantas e impactar diretamente a produtividade, tornando o monitoramento e o manejo preventivo fundamentais para o sucesso da cultura.
O problema pode estar no solo
Os corós, principalmente as espécies Diloboderus abderus (Figura 1A) e Phyllophaga triticophaga (Figura 1B), estão entre as principais pragas de solo da canola.
As larvas atacam o sistema radicular das plantas, causando morte de plântulas, redução do stand e falhas na lavoura. Como a canola possui baixa capacidade de recuperação radicular no início do ciclo, áreas com histórico de infestação devem ser evitadas, especialmente quando houver mais de cinco corós por metro quadrado.
Outra praga importante é a lagarta-rosca (Agrotis ipsilon), que corta a haste das plântulas próximas ao solo, provocando a morte das plantas e comprometendo o estabelecimento inicial (stand) da cultura. Nesse sentido, é indispensável o monitoramento e a utilização de inseticidas na dessecação e no preparo da área para a semeadura da canola (Figura 1C).
Principais pragas da parte aérea
As formigas cortadeiras, como saúvas (Atta spp.) e quenquéns (Acromyrmex spp.), são os primeiros insetos a causar danos severos, tornando essencial o monitoramento principalmente nas primeiras semanas após a semeadura (Figura 1D).
A traça-das-crucíferas (Plutella xylostella) é considerada a principal praga da canola no Rio Grande do Sul. O inseto pode atacar a cultura durante todo o ciclo, desde a fase de plântula até o enchimento de grãos. Temperaturas elevadas e clima seco favorecem o aumento populacional da praga, exigindo monitoramento frequente durante o desenvolvimento vegetativo e a floração (Figura 1E).
A vaquinha ou patriota (Diabrotica speciosa) também merece atenção, principalmente entre a fase cotiledonar e o estádio de 2 a 3 folhas. Os adultos provocam perfurações nos cotilédones e nas folhas jovens, reduzindo a área foliar e comprometendo o arranque inicial da cultura (Figura 1F). Outra espécie observada em lavouras de canola é Lagria villosa, cujas larvas e adultos causam desfolha em pecíolos e folhas das plântulas, afetando o desenvolvimento inicial das plantas.
Os pulgões, como o pulgão-verde (Myzus persicae) e o pulgão-da-couve (Brevicoryne brassicae), também estão associados à cultura da canola (Figura 1G). Além dos danos por sucção de seiva, esses insetos preocupam pela transmissão de viroses, como o Vírus do Mosaico do Nabo (TuMV), que pode reduzir significativamente a produtividade da lavoura.
FIGURA 1: Principais pragas da cultura da canola.
Fonte: Adaptado de Pereira e Salvadori (2021) Ferreira (2015) Guimarães et al. (2022) Michereff e Michereff Filho (2021) Marsaro Júnior (2015,2016).
O planejamento deve estar focado na prevenção
O manejo de pragas na canola deve começar antes mesmo da semeadura, com o uso de tratamento de sementes e avaliação do histórico da área. Nessa fase de estabelecimento e desenvolvimento inicial da canola, o monitoramento da lavoura deve ser feito constantemente.
Esse monitoramento constante permite identificar o início das infestações e tomar a melhor decisão com relação a estratégias de manejo, reduzindo perdas no desenvolvimento e na produtividade. Por isso, o acompanhamento técnico é uma peça fundamental para o correto manejo fitossanitário da cultura. Esse suporte profissional faz toda a diferença no campo.
Texto escrito por Gabrielly dos Passos Morigi e Larissa Lindenmayr, acadêmicas do curso de Agronomia da UFSM, campus de Frederico Westphalen, membros do Programa de Educação Tutorial – PET Ciências Agrárias, sob acompanhamento do tutor, professor Dr. Claudir José Basso.
Você sabia que o manejo inadequado do azevém e da giberela pode comprometer não apenas a sua safra de trigo, mas também a rentabilidade da soja na sequência?
A sucessão trigo-soja é um sistema importante na produção de grãos do Rio Grande do Sul e reflete diretamente a economia regional do estado. No entanto, o azevém e a giberela afetam esse potencial, sendo um dos principais problemas na cultura do trigo. Pensar em um manejo adequado para esses problemas é fundamental para manter a produtividade, qualidade dos grãos e a rentabilidade do produtor.
O azevém como planta daninha no sistema
O azevém (Lolium multiflorum) é uma gramínea com grande capacidade de multiplicação, pode ser utilizada como forrageira (Figura 1), mas pode se tornar a principal planta daninha no trigo e especialmente da soja em sucessão. Trata-se de uma planta com alto poder de competição por água, luz e nutrientes.
Atenção redobrada: O desafio atual no controle do azevém é a sua resistência ao glifosato, um problema gerado pela aplicação repetida e contínua deste produto ao longo das safras.
(Figura 1: Azevém competindo com a cultura do trigo Fonte: Revistarural, (2019))
Consequência da ocorrência da Giberela no trigo
A giberela (Gibberella zeae) é uma doença que compromete a produtividade e qualidade dos grãos. O ataque ocorre no momento da formação das espigas da cultura, fazendo com que a espiga apresente grãos com uma cor mais esbranquiçada ou cor de palha. A doença ganha força através de volumes elevados de chuva, alta umidade e temperaturas do ar entre 20 °C e 30 °C, que ocorrem no período de florescimento do trigo.
(Figura 2: Sintomas da giberela na espiga do trigo Fonte: Paulo Kurtz; Maria Imaculada Lima, (2021))
Como o azevém e a giberela impactam a sucessão trigo-soja
O azevém que não for bem controlado durante o cultivo do trigo, continua no campo, abrigando pragas e doenças e gerando competição com a soja, por água e nutrientes logo após a colheita do trigo.
Além disso, a giberela pode permanecer nos restos culturais (palha), correndo o risco de infecção para a próxima safra de cereais. Isso causa atraso na colheita do trigo e gera uma semeadura tardia da soja.
Impacto direto, aumento dos custos: Também ocorre o aumento dos custos de produção, em vista da necessidade de aumentar as aplicações de herbicidas no controle do azevém e na aplicação de fungicidas para o controle de giberela.
Como combinar estratégias para controlar o azevém e a giberela?
Dentro da sucessão trigo-soja, o manejo do azevém e da giberela precisa ser pensado de forma integrada. No caso do azevém, um dos primeiros passos é a dessecação antecipada da área, antes da semeadura do trigo, eliminando plantas já estabelecidas. O ideal é realizar esse controle quando o azevém ainda está na fase vegetativa, preferencialmente até o estágio com quatro folhas, o que aumenta muito a eficiência dos herbicidas. Em áreas com resistência ao glifosato, é comum associar o produto com graminicidas ou utilizar alternativas de controle, desde que seja respeitado o intervalo de segurança.
Nos últimos anos, outra estratégia que vem ganhando espaço no Rio Grande do Sul é o uso de herbicidas pré-emergentes na cultura do trigo, que ajudam a reduzir a emergência inicial da planta daninha, diminuindo a pressão de infestação no início da cultura. Em muitos casos, esses produtos precisam de chuva após a aplicação.
O manejo eficaz do azevém no trigo facilita o estabelecimento da cultura em sucessão, mas deixar as áreas em pousio após a colheita da soja pode aumentar a infestação desta planta daninha. Portanto, a adoção de culturas de cobertura de inverno é uma estratégia útil para a supressão do azevém.
Já no caso da giberela, o desafio está relacionado principalmente à sobrevivência na palhada trigo. Por isso, o manejo da giberela também depende de um conjunto de estratégias. A escolha de cultivares moderadamente resistentes ou resistentes é uma das principais ferramentas, já que o controle químico sozinho raramente é eficiente. Além disso, práticas como, evitar plantios muito pesados e excesso da aplicação de ureia, também ajudam a reduzir o ambiente favorável à doença.
Quando o assunto é controle químico, o ponto mais importante é o momento da aplicação. O fungicida deve ser aplicado de forma preventiva no início do florescimento, quando as anteras estão expostas. Em anos com alta umidade e maior pressão da doença, pode ser necessária uma segunda aplicação alguns dias depois da primeira, principalmente em cultivares mais suscetíveis. O manejo da palhada e a rotação de culturas com espécies não hospedeiras também ajudam a reduzir o inóculo do fungo ao longo do tempo.
Para garantir seus resultados, lembre-se:
O manejo adequado do Azevém e da Giberela é fundamental para garantir bons resultados no sistema de sucessão entre trigo/soja no Rio Grande do Sul. Caso não seja feito, haverá uma redução de produtividade e qualidade dos grãos, além de aumentar os custos de produção e complicações do manejo entressafra.
É importante que o produtor adote estratégias de manejo integrado, como rotação de culturas, escolha de cultivares adaptadas, uso correto de fungicidas e herbicidas, e monitoramento frequente na lavoura para reduzir os impactos e continuar com um sistema de produção mais eficiente, sustentável e rentável ao longo das safras.
Para conhecer as opções de insumos recomendados para o controle de doenças e plantas daninhas, acesse o catálogo de herbicidas para o azevém, e fungicidas para a giberela no site da 3tentos, onde encontrará as soluções adequadas para a sua lavoura. No site você também pode encontrar uma variedade de outros insumos.
Texto escrito por Estephany Manfrin e Julio Meante do Santos Bergami, membros da AGR Jr. Consultoria Agronômica, Empresa Júnior do Curso de Agronomia da UFSM Campus Frederico Westphalen, sob a orientação da professora Gizelli Moiano de Paula.
Foto de capa: divulgação Emater/RS-Ascar- Marcela Buzatto
30 de junho de 2026
AGR Jr. Consultoria Agronômica, Empresa Júnior do Curso de Agronomia da UFSM Campus Frederico Westphalen
A busca por uma safra lucrativa ganhou um aliado de peso.
A canola (Brassica napus L. ssp. oleifera Moench) é uma oleaginosa de inverno resultante do melhoramento genético da colza. Seus grãos são bem concentrados em óleo (40% a 45%) amplamente utilizados para a produção de biodiesel e óleo para a alimentação humana, além de entregar ao pecuarista um farelo de alto teor proteico para a nutrição de ruminantes (TOMM, 2007).
A cultura vem ganhando forças, após 10 anos estagnada, a área semeada volta a crescer, ultrapassando 220.000 hectares semeados em 2025 no Brasil (CONAB; ABRASSCANOLA, 2025). Por ser uma cultura de clima temperado, a canola encontrou nas terras gaúchas o ambiente perfeito e uma adaptação natural para liderar esse mapa de expansão.
Para entender o sucesso dessa cultura por aqui, precisamos olhar para a sua impressionante versatilidade genética.
De um lado, temos as cultivares de inverno, predominantes na Europa, Ucrânia, Rússia e partes da China, semeadas antes do começo do inverno, sofrendo congelamento e posterior retomada do crescimento, e cultivares de canola de primavera, indicadas para os locais de menor latitude, as quais são utilizadas no Brasil, Índia, Canadá, Estados Unidos e partes da China (MORI; TOMM; FERREIRA, 2014).
Decifrando a fenologia
A cultura é centrada na eficiência de conversão energética e na adaptação ao ambiente. A lavoura inicia-se com a semente, depois formam-se folhas, caules, flores, vagens e novas sementes.
A duração de cada fase ou estádio de desenvolvimento é influenciado pelo híbrido, fertilidade, nutrição, umidade, temperatura do solo e do ar, fotoperíodo e intensidade da luz solar. Embora esse desenvolvimento seja um fluxo contínuo, dividi-lo em estádios específicos é o que permite ao produtor entrar com o manejo no momento certo (adequado para cada momento).
Germinação e emergência: O hipocótilo puxa os cotilédones para cima da superfície do solo. O ponto de crescimento fica entre os dois cotilédones. Enquanto a parte aérea busca a luz, a raiz principal desce verticalmente no perfil do solo, abrindo caminho para que as raízes secundárias e os pelos radiculares comecem a capturar água e os primeiros nutrientes essenciais.
Canola em fase cotiledonar. Fonte: Arquivo pessoal.
Fases reprodutivas da canola. Fonte: Indicações Técnicas da Canola, Nufarm (2025).
Roseta: as folhas se organizam rente ao solo formando uma “roseta”.
Canola em fase de roseta. Fonte: Mario Netto (2025).
Alongamento do caule: começa com expansão foliar e formação dos botões florais.
Canola na fase de alongamento do caule e desenvolvimento de botões florais. Fonte: Mário Netto (2025).
Início da floração: menos de 10 flores abertas na haste principal.
Canola início do florescimento. Fonte: Mário Netto (2025).
10% Floração: 10% das flores estão abertas na haste principal.
30% Floração: 30% das flores abertas na haste principal.
50%Floração: 50% das flores abertas na haste principal.
Canola 50% florescida. Fonte: Mário Netto (2025).
90%Floração: 90% das flores abertas na haste principal.
Canola 90% florescida e com formação de síliquas. Fonte: Mário Netto (2025).
Início da maturação: as síliquas mudam de amarelo para marrom.
Síliquas com maturação desuniforme. Fonte: Mário Netto (2025).
Final da maturação: as sementes estão maduras e perdendo umidade.
Canola dessecada em fase de colheita. Fonte: Mário Netto (2025).
Além do visual, o que realmente define o seu resultado?
Acompanhar visualmente as fases fenológicas da canola é o primeiro passo para o planejamento da safra, mas o rendimento final depende da capacidade do produtor de intervir com o manejo correto no momento exato.
Arranjo Espacial: O ajuste de espaçamento e a densidade de semeadura são decisivos para o fechamento uniforme do dossel e interceptação de luz solar.
Nutrição de Plantas: A canola apresenta alta exigência nutricional e responde diretamente à fertilidade do solo.
Nitrogênio (N): É o principal motor do crescimento vegetativo, atuando na formação de aminoácidos, proteínas e na síntese de clorofila para manter a capacidade fotossintética ativa.
Enxofre (S): Essencial para a síntese de proteínas e diretamente relacionado ao incremento do teor de óleo nos grãos, impactando o valor industrial da colheita.
Boro (B): Atua diretamente no crescimento do tubo polínico. O suprimento adequado de boro é indispensável para garantir a fertilização das flores e evitar o abortamento de estruturas reprodutivas.
Fatores Climáticos: Atenção a geadas em fases críticas (canola na fase cotiledonar e enchimento de grãos) que podem causar impactos na produtividade, além de chuva excessiva ou granizo.
Manejo Fitossanitário: No complexo de doenças, a atenção deve se concentrar no controle preventivo da canela-preta (Leptosphaeri maculans) e da alternária (alternaria spp.) Entre as pragas, o monitoramento constante da traça-das-crucíferas, vaquinha, indiamin e pulgão é essencial para evitar quebras severas na produtividade.
Manejo de Plantas daninhas: A canola é sensível à competição nos estádios iniciais. O sucesso do controle começa na escolha de uma área livre de plantas daninhas, manejo de dessecação e manejo pós estabelecimento da cultura, evitando a competição com plantas daninhas.
Atividade Fotossintética: Aproximadamente 90% do acúmulo total de matéria seca na parte aérea da canola provém diretamente da atividade fotossintética. O Índice de Área Foliar (IAF) é determinante que dita a capacidade real da lavoura de interceptar a radiação solar disponível e convertê-la em estruturas produtivas.
Exigências Térmicas: A temperatura do ar é o principal fator regulador da velocidade do ciclo da canola. A temperatura ótima está em torno de 20 °C. Temperaturas acima de 25 °C durante a fase de florescimento provocam o abortamento imediato de flores e síliquas em formação, causando perdas diretas no rendimento.
Necessidades Hídricas: A planta requer entre 300 e 500 mm de água por ciclo. O período mais crítico para o défice hídrico é o florescimento, que pode reduzir drasticamente o número de síliquas e grãos.
Caule principal: atinge de 30-60% do comprimento máximo pouco antes da floração, sendo que de 30-60% da produção total de matéria seca terá ocorrido neste momento, dependendo das condições ambientais.
Crescimento Indeterminado: tem o florescimento e a maturação dos grãos iniciados de baixo para cima, além disso permite a floração e o desenvolvimento de síliquas simultaneamente, o que ajuda a compensar perdas por geadas precoces, mas gera uma maturação desuniforme.
Principais Componentes de Rendimento
O rendimento final de grãos é determinado pela interação de quatro componentes principais (Coimbra et al., 2004):
População de plantas: O estabelecimento do estande por unidade de área é o fator base para a construção do rendimento. A canola compensa populações baixas, mas o rendimento máximo é geralmente obtido com cerca de 40 plantas/m².
Número de síliquas por planta: Este é estatisticamente considerado o componente de rendimento mais impactante na cultura, pois define a capacidade de armazenamento de grãos.
Número de grãos por síliqua: Depende diretamente do sucesso da fertilização e da ausência de estresses térmicos ou hídricos durante a formação das sementes.
Massa de mil grãos (MMG): Geralmente varia entre 3,0 e 6,0 g. Esse índice reflete a eficiência e a duração do período de enchimento de grãos.
A produtividade final da canola, portanto, não deve ser vista como o resultado de um fator isolado, mas sim como a interação dinâmica e o sincronismo entre os três pilares: o potencial genético do híbrido, as condições ambientais da safra e a densidade e uniformidade de plantas estabelecidas no campo através do manejo fitotécnico.
REFERÊNCIAS:
BANDEIRA, Taiane Pettenon.Ecofisiologia da canola Hyola 61 sob variações no arranjo de plantas. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, 2013.
COIMBRA, J. L. M.; GUIDOLIN, A, F.; ALMEIDA, M. L.; SANGOI, L.; ENDER, M.; MEROTO, A. Análise de trilha dos componentes do rendimento de grãos em genótipos de canola. Ciência Rural, Santa Maria, v. 34, n. 5. 2004. p.1421-1428.
DURIGON, Miria Rosa.Caracterização fisiológica e agronômica de híbridos de canola resistentes a herbicidas triazinas ou imidazolinonas. Tese (Doutorado em Agronomia) – Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, 2016.
DEUS, Vitor José Matias de.Influência da temperatura na emergência de plântulas de canola. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Agronomia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2020.
FLOSS, Luiz Gustavo.Apresentação CANOLA e outras brássicas: fisiologia e manejo. Grupo FLOSS, 2026.
MORI, C.; TOMM, G. O.; FERREIRA, P. E. P. Aspectos econômicos e conjunturais da cultura da canola no mundo e no Brasil. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2014. 36 p. (Documentos online, 149). Disponível em: http://www.cnpt.embrapa.br/biblio/do/p_do149.htm. Acesso em: 17 maio 2026.
QUEIROGA, Vicente de Paula et al. (Eds.)Sistema Produtivo da Canola (Brassica napus L. ssp. oleifera Moench). Capítulo I. [Embrapa], 2023.