Após a queda no segundo trimestre de 2020, por força da Covid-19, os preços de commodities voltaram a se recuperar, atingindo valores expressivos nas bolsas mundiais. No cenário global da soja, por exemplo, o que se observa é uma produção inferior ao consumo.
Por Sílvia Letícia Bampi - Consultora em Gerenciamento de Riscos da StoneX Brasil
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Em 2019 a China começou a recompor seu rebanho de suínos, depois do episódio da Peste Suína Africana (PSA) que devastou o rebanho chinês e impactou no consumo mundial. As importações do gigante asiático saltaram de 82,5 milhões de toneladas em 2018/19 (ciclo impactado pela PSA) para estimativas de 100 milhões de toneladas nesse ciclo (2020/21) e projeções de 103 milhões de tons para o próximo (2021/22).
Esse apetite chinês no mercado mundial foi um dos fatores que ajudou na redução dos estoques estado-unidenses de soja, além é claro do reflexo de uma produção menor, devido a problemas climáticos. Os Estados Unidos cuja estimativa de exportação para esse ciclo está sendo projetada em 62 milhões de tons, já exportou 99% desse volume, deixando seus estoques finais estimados em cerca de 3,25 milhões de toneladas. De tal modo, o mercado importador ficou à mercê da safra sul-americana.
Apesar da redução do potencial produtivo da safra Argentina, o Brasil produziu um recorde de 135,73 milhões de toneladas (Estimativas da StoneX), cerca de 11 milhões de toneladas a mais que no ciclo anterior (124,5 mi tons 2019/2020). Isso tudo, devido ao crescimento de 4% da área total semeada no país, que alcançou 38,6 milhões de hectares. Ademais, apesar das perdas na reta final da safra com excesso de chuvas em importantes estados produtores como o Mato Grosso e o Paraná. O estado do Rio Grande do Sul acabou surpreendendo e, com o crescimento de área que é acompanhado ano após ano, principalmente em detrimento da região sul do estado, obteve uma produção de mais de 22 milhões de toneladas de soja, levando o estado a posição de segundo maior produtor do grão no país. Do outro lado, o ritmo brasileiro dos embarques de soja para também seguem firmes, mais de 50 milhões de toneladas da estimativa total de 85 milhões, já foram exportadas até meados de maio.
Atualmente, o USDA projeta uma área de 35,09 milhões de hectares no caso da soja e uma produção final de 119,9 milhões de toneladas. E no milho, 33,8 milhões de hectares e 380,8 milhões de tons de produção. Porém, ainda é possível vermos ajustes em ambas as áreas, o que poderia representar uma produção maior e refletir nos estoques finais. A expectativa climática é positiva, mas ainda é cedo para maiores definições sobre a safra americana, pois os meses de julho e agosto são importantes para a conclusão da safra por lá.
Mas que relação tem todas essas informações com o preço da soja?
No caso da soja, são três variáveis que formam o preço:
As cotações da Bolsa de Chicago, que sofrem influência da oferta e demanda mundial do grão;
O prêmio, que reflete o apetite de demanda e pode ser explicado como um ágio ou deságio pago sobre as cotações da bolsa;
O câmbio. Lembrando que no mercado interno o produto é negociado em reais - moeda nacional.
Todos as informações mencionadas até então têm interferência direta nos componentes da formação de preço e podem, portanto, modificar ou manter a trajetória do mercado. Fato é que vive-se um cenário de demanda ascendente e necessitamos de boas safras para a recomposição de estoques, para que a oferta seja capaz de suprir essa demanda.
E o mercado de Milho?
Diante dos elevados preços do milho no país e de uma oferta mais baixa, a competitividade do cereal no mercado externo tem sido impactada, ou seja, já se acredita em uma redução nas exportações totais do grão neste ciclo 2021. Contudo, é importante ressaltar que o balanço de oferta e demanda para o milho brasileiro continua muito apertado, lembrando que a disponibilidade na primeira metade do ano (já considerando o cenário para 2022) dependerá da safra de verão, que é muito menor que a safrinha.
Lá fora o mercado se atenta ao crescimento do uso de milho para a produção de Etanol nos EUA, que deverá aumentar em 4,5% no ciclo 2021/22 (mais de 5 milhões de toneladas) e, lembrando, a China passou a figurar como importadora no mercado mundial de milho. As exportações norte americanas também tendem a ser elevadas. Os preços do milho na China subiram mais de um terço no ano mais recente, após uma queda na produção e nos estoques do estado. O país passou a importar mais milho para compensar o déficit interno e isso tem refletido nos preços mundiais do cereal.
Excesso de água no solo pode aumentar o risco de perdas de nitrogênio e reduzir o aproveitamento do nutriente pelas plantas
O planejamento da adubação nitrogenada é uma etapa importante para o desempenho da cultura do milho. Em safras com ocorrência frequente de chuvas, esse manejo exige atenção adicional, pois o excesso de água no solo pode aumentar o risco de perdas de nitrogênio e reduzir o aproveitamento do nutriente pelas plantas. Nesse cenário, considerar as condições do solo, a previsão meteorológica e o momento da aplicação são fundamentais para melhorar a eficiência da adubação.
Nesse contexto, a adubação nitrogenada em cobertura merece atenção especial. O nitrogênio está entre os nutrientes de maior demanda pelo milho e pode ser perdido por diferentes processos no sistema solo-planta (Coelho et al., 2006) e isso, é ainda mais desafiador em períodos de elevada precipitação, quando a lixiviação pode comprometer a disponibilidade do nutriente para as plantas.
O que muda em anos chuvosos?
Em anos com elevada precipitação, o manejo do nitrogênio exige atenção adicional. Após a aplicação em cobertura, a ureia passa por transformações no solo e parte do nitrogênio é convertida em formas amoniacais e, posteriormente, em nitrato (NO-3), uma forma bastante móvel no perfil. Quando ocorrem chuvas, o nitrato pode ser deslocado para camadas mais profundas, ficando abaixo da região de maior exploração das raízes. Esse processo é conhecido como lixiviação e pode reduzir a disponibilidade do nutriente para a cultura, especialmente em solos arenosos e com maior drenagem. Em situações de encharcamento, também podem ocorrer perdas por desnitrificação.
Por isso, a eficiência da adubação nitrogenada depende não apenas da dose aplicada, mas também do momento da aplicação, das condições meteorológicas e das características do solo.
Fonte: Nutrisafras
Como reduzir as perdas por lixiviação?
Embora não seja possível eliminar completamente as perdas de nitrogênio, algumas estratégias de manejo podem aumentar o aproveitamento do nutriente pela cultura e reduzir sua exposição aos processos de perda.
Uma das principais recomendações é planejar a aplicação da adubação de cobertura considerando a previsão meteorológica. No caso da ureia, chuvas leves após a aplicação favorecem sua incorporação ao solo, reduzindo perdas por volatilização. Por outro lado, eventos de precipitação excessiva exigem atenção, principalmente quando parte do nitrogênio já se encontra na forma de nitrato, pois o movimento da água para camadas mais profundas pode carregar esse nutriente para fora da região de maior exploração das raízes, aumentando o risco de lixiviação (Cantarella, 2007).
Outra estratégia que pode contribuir para reduzir o risco de perdas é o parcelamento da adubação nitrogenada. Essa prática tende a ser especialmente importante em solos de textura arenosa, em situações de maior volume de chuva ou quando são utilizadas doses mais elevadas de nitrogênio. Ao distribuir a aplicação ao longo do desenvolvimento da cultura, reduz-se a quantidade de N exposta de uma só vez às condições favoráveis às perdas, favorecendo o aproveitamento do nutriente pelo milho (Coelho et al., 2006).
As características do solo também devem ser consideradas no planejamento da adubação nitrogenada. Solos com textura mais arenosa apresentam menor capacidade de retenção de água e maior suscetibilidade ao deslocamento do nitrato no perfil do solo, aumentando o risco de perdas por lixiviação.
As características do solo também influenciam a dinâmica do nitrogênio. Solos com maior teor de argila geralmente apresentam maior capacidade de retenção de água, enquanto sistemas de manejo que favorecem a manutenção da matéria orgânica, da cobertura e da estrutura do solo contribuem para a ciclagem de nutrientes (CQFS-RS/SC, 2016). Sempre que possível, manter culturas comerciais ou plantas de cobertura ocupando a área durante a entressafra também favorece essa ciclagem e reduz os períodos em que o solo permanece descoberto. Mesmo nessas condições, volumes elevados de chuva podem provocar perdas de nitrogênio.
Em determinadas situações, fertilizantes nitrogenados associados a tecnologias como inibidores de urease ou de nitrificação podem fazer parte da estratégia de manejo. Os inibidores de urease atuam principalmente na redução do risco de volatilização da ureia, enquanto os inibidores de nitrificação retardam a formação de nitrato, reduzindo sua exposição a processos de perda em determinadas condições. A resposta a essas tecnologias depende da fonte de nitrogênio, das características do solo, das condições meteorológicas e do custo da prática. Por isso, sua utilização deve ser avaliada de acordo com cada sistema de produção (Clemente et al., 2019).
Planejamento é a melhor estratégia
Em períodos de muita chuva, definir apenas a dose de nitrogênio não é suficiente. O momento da aplicação, as características do solo, a fonte utilizada e a previsão meteorológica devem fazer parte do planejamento para melhorar o aproveitamento do nutriente e reduzir o risco de perdas.
Como destacado na matéria "Adubação nitrogenada em milho: momento e quantidades", publicada anteriormente no Triblog da 3tentos, o nitrogênio é o nutriente mais acumulado e exportado pela cultura do milho, sendo essa cultura altamente responsiva a esse nutriente. Entretanto, para que esse nutriente seja efetivamente aproveitado, sua aplicação deve ser realizada no momento de maior demanda da cultura e de acordo com as condições do ambiente, evitando perdas e aumentando a eficiência da adubação.
Reduzir as perdas de nitrogênio depende da integração entre fonte, dose, momento de aplicação, condições do solo e previsão meteorológica. Quanto melhor for esse planejamento, maior será a possibilidade de disponibilizar o nutriente no período de maior demanda do milho e melhorar a eficiência da adubação.
Texto escrito por Luani Aparecida Calegari e Lucinara Pinto Camara, acadêmicas do curso de Agronomia da UFSM campus Frederico Westphalen, membros do Programa de Educação Tutorial - PET Ciências Agrárias, sob acompanhamento do tutor, professor Dr. Claudir José Basso.
Referências
COELHO, A. M.; FRANÇA, G. E.; PITTA, G. V. E. et al. Fertilidade de solos e adubação do milho. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2006. (Circular Técnica).
CANTARELLA, H. Nitrogênio. In: NOVAIS, R. F. et al. (Org.). Fertilidade do Solo. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2007. p. 375-470.
COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO – RS/SC (CQFS-RS/SC). Manual de calagem e adubação para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 11. ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo – Núcleo Regional Sul, 2016.
CLEMENTE, R. A. et al. Produtividade do milho cultivado sob diferentes doses de ureia e uso de inibidores de nitrificação e uréase. 2020.
Impactos gerados por essa invasora podem chegar a uma redução entre 40% a 52% na produtividade de grãos
No Rio Grande do Sul, a cultura do trigo enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, às condições de mercado e aos riscos climáticos, fatores que têm influenciado a decisão de cultivo nas últimas safras.
O azevém é a invasora mais problemática, devido à sua semelhança morfológica e fisiológica com o trigo, ambas competindo intensamente pelos mesmos recursos. Essa semelhança reduz drasticamente as opções de herbicidas que podem ser utilizados no seu manejo, assim favorecendo a persistência da invasora.
Os impactos gerados por essa competição podem chegar a uma redução entre 40% a 52% na produtividade de grãos (FLECK; PAULITSCH, 1978), compromete a qualidade do trigo, eleva os custos operacionais e dificulta a colheita.
Quais fatores influenciam a eficiência do manejo do azevém no trigo?
O momento da intervenção é um dos principais fatores para o sucesso do manejo. Quanto mais avançado estiver o azevém, maior tende a ser a dificuldade de controle, principalmente em áreas com histórico de resistência.
O período crítico em que a cultura do trigo deve permanecer livre da interferência de plantas daninhas é durante o primeiro terço de seu desenvolvimento, pois é nesse intervalo que ocorre a redução mais acentuada da produtividade, e os danos causados são irreversíveis (Vargas; Bianchi, 2006).
Conforme orientações técnicas da Embrapa, o manejo do azevém deve começar ainda antes da semeadura, com estratégias como dessecação antecipada, uso de herbicidas pré-emergentes registrados e rotação de mecanismos de ação, especialmente em áreas com histórico de resistência. (Embrapa, 2023). Embora esse período possa variar conforme o ambiente e a cultivar, o período crítico está entre 12 e 24 dias após a emergência do trigo ou os primeiros 50 dias em cultivares com ciclo mais longo.
No manejo pós-emergente, os melhores resultados geralmente são obtidos quando o azevém ainda está nos estádios iniciais, preferencialmente com três a quatro folhas e antes do perfilhamento, respeitando sempre a indicação de bula do herbicida utilizado.
Nesse caso, máxima eficácia ocorre quando o azevém apresenta entre 2 e 4 folhas, ultrapassar esse estádio reduz drasticamente o potencial de controle, pois as plantas tornam-se mais tolerantes aos princípios ativos. Por isso, recomenda-se um manejo integrado que comece na pré-semeadura (dessecação) e utilize herbicidas pré-emergentes registrados para a cultura, respeitando as recomendações de uso e as condições necessárias para ativação do produto (Embrapa, 2023).
Plantas de azevém que emergem após os 35 dias da emergência do trigo, tendem a causar menos prejuízos diretos ao rendimento, pois a cultura já superou sua fase de maior sensibilidade competitiva (Vargas; Bianchi, 2006). Mesmo assim, essas plantas não devem ser ignoradas, já que podem produzir sementes, aumentar o banco de sementes no solo, dificultar a colheita e depreciar a qualidade do produto colhido.
De que forma solo, clima e adjuvantes podem intensificar a fitotoxicidade?
A fitotoxicidade é um conjunto de danos causados à cultura por herbicidas, variando de danos leves a severos, os quais podem ser intensificados por fatores climáticos, características do solo e uso de adjuvantes inadequados.
Condições climáticas: Possuem grande influência sobre a eficiência e a seletividade dos herbicidas pré-emergentes, destacando-se a ocorrência de chuvas intensas logo após a aplicação, o excesso de precipitação pode promover a lixiviação do herbicida no perfil do solo, deslocando o produto para regiões próximas ao sistema radicular do trigo, aumentando a absorção do herbicida pelas raízes. Em situações severas, podem ocorrer sintomas como clorose, redução do crescimento radicular, atraso no desenvolvimento vegetativo e até morte de plântulas.
Características do solo: As propriedades físicas e químicas do solo também influenciam, solos arenosos e com baixos teores de matéria orgânica apresentam menor capacidade de adsorção dos herbicidas, contendo maior quantidade do ingrediente ativo livre na solução do solo (Scheer et al., 2025). Em solos com maior teor de argila e matéria orgânica, a adsorção tende a ser maior. Esse comportamento, no entanto, varia conforme as características físico-químicas de cada ingrediente ativo.
Os adjuvantes, como surfactantes, espalhantes e óleos minerais, são frequentemente adicionados às caldas de pulverização para melhorar a cobertura e a absorção dos produtos. Entretanto, o uso inadequado desses componentes pode comprometer a seletividade dos herbicidas ao trigo, a intensificação da absorção foliar promovida pelos adjuvantes pode favorecer a entrada excessiva do herbicida nos tecidos vegetais, causando sintomas de queima foliar, necrose e redução do crescimento das plantas.
Como realizar o manejo químico eficiente do azevém no trigo?
Para o manejo em pré-emergência, podem ser utilizados herbicidas registrados para a cultura do trigo e para o controle do azevém, sempre considerando o histórico de resistência da área, as características do solo e as condições necessárias para a ativação do produto. Na dessecação pré-semeadura, herbicidas graminicidas também podem ser utilizados para o controle de plantas já emergidas. Entretanto, alguns inibidores da ACCase podem apresentar efeito residual sobre o trigo, por isso o intervalo entre a aplicação e a semeadura deve seguir rigorosamente as recomendações de bula e a orientação técnica.
No controle pós-emergente, o manejo deve ser realizado preferencialmente enquanto o azevém ainda está nos estádios iniciais de desenvolvimento e antes do perfilhamento, respeitando o estádio indicado para cada herbicida registrado. Entre as alternativas seletivas disponíveis para o trigo estão diferentes mecanismos de ação, incluindo inibidores da ALS e da ACCase. A escolha deve considerar o histórico de resistência da área, já que populações de azevém resistentes a esses mecanismos estão presentes em regiões produtoras do Sul do Brasil. Quando houver recomendação de adjuvante, seu uso deve seguir a bula do produto, contribuindo para melhorar características como cobertura, retenção e absorção da aplicação.
Figura 1 - Lavoura de trigo com azevém resistente (ao lado) Fonte: Revista Cultivar
O sucesso no manejo do azevém depende diretamente do momento em que o controle é realizado, dessa forma, práticas como o uso de pré-emergentes, e rotação de mecanismos de ação tornam-se fundamentais para reduzir a pressão de seleção e evitar o avanço da resistência.
Além disso, fatores ambientais e de manejo influenciam significativamente a ocorrência de danos na cultura.. Por isso, a escolha correta dos produtos, das doses e do momento de aplicação é indispensável para garantir segurança e eficiência no manejo. Em resumo, o manejo eficiente do azevém depende da integração entre controle químico, monitoramento da resistência e práticas culturais, garantindo maior sustentabilidade e viabilidade econômica para a cultura do trigo.
O sucesso no manejo do azevém depende diretamente do momento em que o controle é realizado, dessa forma, práticas como o uso de pré-emergentes, e rotação de mecanismos de ação tornam-se fundamentais para reduzir a pressão de seleção e evitar o avanço da resistência.
Além disso, fatores ambientais e de manejo influenciam significativamente a ocorrência de danos na cultura. Por isso, a escolha correta dos produtos, das doses e do momento de aplicação é indispensável para garantir segurança e eficiência no manejo. Em resumo, o manejo eficiente do azevém depende da integração entre controle químico, monitoramento da resistência e práticas culturais, garantindo maior sustentabilidade e viabilidade econômica para a cultura do trigo.
Texto escrito por Gustavo Pinheiro do Nascimento e Luani Aparecida Calegari, acadêmicos do curso de Agronomia da UFSM, campus em Frederico Westphalen, membros da empresa júnior AGR Jr. Consultoria Agronômica, sob acompanhamento da coordenadora, professora Dra. Gizelli Moiano de Paula.
Referências
FLECK, N. G.; PAULITSCH, R. J. Controle químico de azevém (Lolium multiflorum L.) na cultura do trigo. Planta Daninha, v. 1, n. 2, p. 30-37, 1978.
VARGAS, Leandro; BIANCHI, Mario Antonio. Manejo e controle de plantas daninhas em trigo.
In: Trigo no Brasil. Passo Fundo: Embrapa Trigo, [s.d.]. p. 253-286.
ASTRO, T. A. et al. Controle químico de azevém resistente na pré-semeadura da cultura do trigo. Santa Maria: UFSM; BIOMONTE Pesquisa e Desenvolvimento, 2013.
COSSUL, Vitor. Eficiência de herbicidas pré e pós-emergentes no controle de azevém (Lolium multiflorum) na cultura do trigo. 2025. 111 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Agronomia) – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Campus Ibirubá, Ibirubá, 2025.
EMBRAPA. Alternativas para controle de azevém resistente a herbicidas. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2023. 1 vídeo (4 min). Palestrante: Leandro Vargas. Disponível em: YouTube.
SCHEER, Felipe Augusto et al. Uso de herbicidas pré-emergentes no controle de azevém e seus efeitos sobre a cultura do trigo. Revista de Agronomia e Medicina Veterinária (RAMVI), v. 12, n. 2, p. 1-26, 2025.
21 de julho de 2026
AGR Jr. Consultoria Agronômica, Empresa Júnior do Curso de Agronomia da UFSM Campus Frederico Westphalen
A canola (Brassica napus L.) é uma das principais oleaginosas produzidas no mundo e tem ganhado forte espaço na região Sul do Brasil como uma excelente alternativa de renda durante o outono/inverno.
A cultura apresenta boa adaptação ao clima frio e entra como uma nova alternativa de rotação de culturas como soja, milho e trigo, auxiliando na quebra do ciclo de doenças e na melhoria da estrutura do solo. Além do uso na produção de óleo comestível e biocombustíveis, a canola possui elevado valor comercial e agronômico, tornando-se uma opção estratégica para diversificação das propriedades rurais.
Apesar do bom potencial produtivo, o desenvolvimento inicial da cultura exige atenção, pois a canola é mais sensível ao ataque de pragas nas primeiras fases do ciclo. Nesse período, danos causados por insetos podem comprometer o estabelecimento da lavoura, reduzir o stand de plantas e impactar diretamente a produtividade, tornando o monitoramento e o manejo preventivo fundamentais para o sucesso da cultura.
O problema pode estar no solo
Os corós, principalmente as espécies Diloboderus abderus (Figura 1A) e Phyllophaga triticophaga (Figura 1B), estão entre as principais pragas de solo da canola.
As larvas atacam o sistema radicular das plantas, causando morte de plântulas, redução do stand e falhas na lavoura. Como a canola possui baixa capacidade de recuperação radicular no início do ciclo, áreas com histórico de infestação devem ser evitadas, especialmente quando houver mais de cinco corós por metro quadrado.
Outra praga importante é a lagarta-rosca (Agrotis ipsilon), que corta a haste das plântulas próximas ao solo, provocando a morte das plantas e comprometendo o estabelecimento inicial (stand) da cultura. Nesse sentido, é indispensável o monitoramento e a utilização de inseticidas na dessecação e no preparo da área para a semeadura da canola (Figura 1C).
Principais pragas da parte aérea
As formigas cortadeiras, como saúvas (Atta spp.) e quenquéns (Acromyrmex spp.), são os primeiros insetos a causar danos severos, tornando essencial o monitoramento principalmente nas primeiras semanas após a semeadura (Figura 1D).
A traça-das-crucíferas (Plutella xylostella) é considerada a principal praga da canola no Rio Grande do Sul. O inseto pode atacar a cultura durante todo o ciclo, desde a fase de plântula até o enchimento de grãos. Temperaturas elevadas e clima seco favorecem o aumento populacional da praga, exigindo monitoramento frequente durante o desenvolvimento vegetativo e a floração (Figura 1E).
A vaquinha ou patriota (Diabrotica speciosa) também merece atenção, principalmente entre a fase cotiledonar e o estádio de 2 a 3 folhas. Os adultos provocam perfurações nos cotilédones e nas folhas jovens, reduzindo a área foliar e comprometendo o arranque inicial da cultura (Figura 1F). Outra espécie observada em lavouras de canola é Lagria villosa, cujas larvas e adultos causam desfolha em pecíolos e folhas das plântulas, afetando o desenvolvimento inicial das plantas.
Os pulgões, como o pulgão-verde (Myzus persicae) e o pulgão-da-couve (Brevicoryne brassicae), também estão associados à cultura da canola (Figura 1G). Além dos danos por sucção de seiva, esses insetos preocupam pela transmissão de viroses, como o Vírus do Mosaico do Nabo (TuMV), que pode reduzir significativamente a produtividade da lavoura.
FIGURA 1: Principais pragas da cultura da canola.
Fonte: Adaptado de Pereira e Salvadori (2021) Ferreira (2015) Guimarães et al. (2022) Michereff e Michereff Filho (2021) Marsaro Júnior (2015,2016).
O planejamento deve estar focado na prevenção
O manejo de pragas na canola deve começar antes mesmo da semeadura, com o uso de tratamento de sementes e avaliação do histórico da área. Nessa fase de estabelecimento e desenvolvimento inicial da canola, o monitoramento da lavoura deve ser feito constantemente.
Esse monitoramento constante permite identificar o início das infestações e tomar a melhor decisão com relação a estratégias de manejo, reduzindo perdas no desenvolvimento e na produtividade. Por isso, o acompanhamento técnico é uma peça fundamental para o correto manejo fitossanitário da cultura. Esse suporte profissional faz toda a diferença no campo.
Texto escrito por Gabrielly dos Passos Morigi e Larissa Lindenmayr, acadêmicas do curso de Agronomia da UFSM, campus de Frederico Westphalen, membros do Programa de Educação Tutorial – PET Ciências Agrárias, sob acompanhamento do tutor, professor Dr. Claudir José Basso.
Você sabia que o manejo inadequado do azevém e da giberela pode comprometer não apenas a sua safra de trigo, mas também a rentabilidade da soja na sequência?
A sucessão trigo-soja é um sistema importante na produção de grãos do Rio Grande do Sul e reflete diretamente a economia regional do estado. No entanto, o azevém e a giberela afetam esse potencial, sendo um dos principais problemas na cultura do trigo. Pensar em um manejo adequado para esses problemas é fundamental para manter a produtividade, qualidade dos grãos e a rentabilidade do produtor.
O azevém como planta daninha no sistema
O azevém (Lolium multiflorum) é uma gramínea com grande capacidade de multiplicação, pode ser utilizada como forrageira (Figura 1), mas pode se tornar a principal planta daninha no trigo e especialmente da soja em sucessão. Trata-se de uma planta com alto poder de competição por água, luz e nutrientes.
Atenção redobrada: O desafio atual no controle do azevém é a sua resistência ao glifosato, um problema gerado pela aplicação repetida e contínua deste produto ao longo das safras.
(Figura 1: Azevém competindo com a cultura do trigo Fonte: Revistarural, (2019))
Consequência da ocorrência da Giberela no trigo
A giberela (Gibberella zeae) é uma doença que compromete a produtividade e qualidade dos grãos. O ataque ocorre no momento da formação das espigas da cultura, fazendo com que a espiga apresente grãos com uma cor mais esbranquiçada ou cor de palha. A doença ganha força através de volumes elevados de chuva, alta umidade e temperaturas do ar entre 20 °C e 30 °C, que ocorrem no período de florescimento do trigo.
(Figura 2: Sintomas da giberela na espiga do trigo Fonte: Paulo Kurtz; Maria Imaculada Lima, (2021))
Como o azevém e a giberela impactam a sucessão trigo-soja
O azevém que não for bem controlado durante o cultivo do trigo, continua no campo, abrigando pragas e doenças e gerando competição com a soja, por água e nutrientes logo após a colheita do trigo.
Além disso, a giberela pode permanecer nos restos culturais (palha), correndo o risco de infecção para a próxima safra de cereais. Isso causa atraso na colheita do trigo e gera uma semeadura tardia da soja.
Impacto direto, aumento dos custos: Também ocorre o aumento dos custos de produção, em vista da necessidade de aumentar as aplicações de herbicidas no controle do azevém e na aplicação de fungicidas para o controle de giberela.
Como combinar estratégias para controlar o azevém e a giberela?
Dentro da sucessão trigo-soja, o manejo do azevém e da giberela precisa ser pensado de forma integrada. No caso do azevém, um dos primeiros passos é a dessecação antecipada da área, antes da semeadura do trigo, eliminando plantas já estabelecidas. O ideal é realizar esse controle quando o azevém ainda está na fase vegetativa, preferencialmente até o estágio com quatro folhas, o que aumenta muito a eficiência dos herbicidas. Em áreas com resistência ao glifosato, é comum associar o produto com graminicidas ou utilizar alternativas de controle, desde que seja respeitado o intervalo de segurança.
Nos últimos anos, outra estratégia que vem ganhando espaço no Rio Grande do Sul é o uso de herbicidas pré-emergentes na cultura do trigo, que ajudam a reduzir a emergência inicial da planta daninha, diminuindo a pressão de infestação no início da cultura. Em muitos casos, esses produtos precisam de chuva após a aplicação.
O manejo eficaz do azevém no trigo facilita o estabelecimento da cultura em sucessão, mas deixar as áreas em pousio após a colheita da soja pode aumentar a infestação desta planta daninha. Portanto, a adoção de culturas de cobertura de inverno é uma estratégia útil para a supressão do azevém.
Já no caso da giberela, o desafio está relacionado principalmente à sobrevivência na palhada trigo. Por isso, o manejo da giberela também depende de um conjunto de estratégias. A escolha de cultivares moderadamente resistentes ou resistentes é uma das principais ferramentas, já que o controle químico sozinho raramente é eficiente. Além disso, práticas como, evitar plantios muito pesados e excesso da aplicação de ureia, também ajudam a reduzir o ambiente favorável à doença.
Quando o assunto é controle químico, o ponto mais importante é o momento da aplicação. O fungicida deve ser aplicado de forma preventiva no início do florescimento, quando as anteras estão expostas. Em anos com alta umidade e maior pressão da doença, pode ser necessária uma segunda aplicação alguns dias depois da primeira, principalmente em cultivares mais suscetíveis. O manejo da palhada e a rotação de culturas com espécies não hospedeiras também ajudam a reduzir o inóculo do fungo ao longo do tempo.
Para garantir seus resultados, lembre-se:
O manejo adequado do Azevém e da Giberela é fundamental para garantir bons resultados no sistema de sucessão entre trigo/soja no Rio Grande do Sul. Caso não seja feito, haverá uma redução de produtividade e qualidade dos grãos, além de aumentar os custos de produção e complicações do manejo entressafra.
É importante que o produtor adote estratégias de manejo integrado, como rotação de culturas, escolha de cultivares adaptadas, uso correto de fungicidas e herbicidas, e monitoramento frequente na lavoura para reduzir os impactos e continuar com um sistema de produção mais eficiente, sustentável e rentável ao longo das safras.
Para conhecer as opções de insumos recomendados para o controle de doenças e plantas daninhas, acesse o catálogo de herbicidas para o azevém, e fungicidas para a giberela no site da 3tentos, onde encontrará as soluções adequadas para a sua lavoura. No site você também pode encontrar uma variedade de outros insumos.
Texto escrito por Estephany Manfrin e Julio Meante do Santos Bergami, membros da AGR Jr. Consultoria Agronômica, Empresa Júnior do Curso de Agronomia da UFSM Campus Frederico Westphalen, sob a orientação da professora Gizelli Moiano de Paula.
Foto de capa: divulgação Emater/RS-Ascar- Marcela Buzatto
30 de junho de 2026
AGR Jr. Consultoria Agronômica, Empresa Júnior do Curso de Agronomia da UFSM Campus Frederico Westphalen